terça-feira, 29 de novembro de 2011

Gratidão ao Pai

Leitura Orante
Lc 10,21-24

Naquele momento, pelo poder do Espírito Santo, Jesus ficou muito alegre e disse: 
- Ó Pai, Senhor do céu e da terra, eu te agradeço porque tens mostrado às pessoas sem instrução aquilo que escondeste dos sábios e dos instruídos. Sim, ó Pai, tu tiveste prazer em fazer isso. 
- O meu Pai me deu todas as coisas. Ninguém sabe quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém sabe quem é o Pai, a não ser o Filho e também aqueles a quem o Filho quiser mostrar quem o Pai é. 
Então Jesus virou-se para os discípulos e disse só para eles: 
- Felizes são as pessoas que podem ver o que vocês estão vendo! Eu afirmo a vocês que muitos profetas e reis gostariam de ter visto o que vocês estão vendo, mas não puderam; e gostariam de ter ouvido o que vocês estão ouvindo, mas não ouviram. 

O Pai revela-se aos pequeninos

Temos aqui dois textos de tradição, que circulavam nas primeiras comunidades como unidades autônomas: a exultação de Jesus pela revelação aos pequeninos e a bem-aventurança dos que recebem esta revelação. Mateus (cf. 13 jul, 26 jul) e Lucas as incorporam integralmente em seus evangelhos, em contextos diferentes. Esta exultação de Jesus se dá, no contexto de Lucas, quando os setenta e dois discípulos retornam alegres pelo sucesso obtido na missão na Samaria. Os que participam destes acontecimentos, acolhendo a revelação de Jesus, são bem-aventurados. 
A revelação não é compreendida pelos sábios e entendidos, satisfeitos em sua auto-suficiência. O Pai revela-se aos pequeninos, aos pobres e excluídos e neste terreno fértil a palavra de Jesus dá frutos. 
Não se encontra Deus por meio de normas morais, doutrinas, ou observâncias religiosas. Chega-se à comunhão de vida com Deus no seguimento de Jesus em sua prática libertadora e amorosa, pois ele é o Filho único que revela o Pai, que a todos dá a vida eterna. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Jesus cura sem limites

Leitura Orante
Mt 8,5-11

Quando Jesus entrou na cidade de Cafarnaum, um oficial romano foi encontrar-se com ele e pediu que curasse o seu empregado. Ele disse: 
- Senhor, o meu empregado está na minha casa, tão doente, que não pode nem se mexer na cama. Ele está sofrendo demais. 
- Eu vou lá curá-lo! - disse Jesus. 
O oficial romano respondeu: 
- Não, senhor! Eu não mereço que o senhor entre na minha casa. Dê somente uma ordem, e o meu empregado ficará bom. Eu também estou debaixo da autoridade de oficiais superiores e tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Digo para um: "Vá lá", e ele vai. Digo para outro: "Venha cá", e ele vem. E digo também para o meu empregado: "Faça isto", e ele faz. 
Quando Jesus ouviu isso, ficou muito admirado e disse aos que o seguiam: 
- Eu afirmo a vocês que isto é verdade: nunca vi tanta fé, nem mesmo entre o povo de Israel! E digo a vocês que muita gente vai chegar do Leste e do Oeste e se sentar à mesa no Reino do Céu com Abraão, Isaque e Jacó. 

Advento, tempo do amadurecimento da fé

O evangelho de hoje é extraído de um bloco de dez milagres reunidos por Mateus nos capítulos 8 e 9 de seu evangelho. Na liturgia de hoje, quando se inicia o tempo do Advento, foi selecionada apenas a primeira parte da narrativa da cura do servo do centurião, onde fica em destaque a fé daquele homem, que era um militar romano. O centurião reconhece e confia na autoridade e poder de Jesus como que superando a sua própria autoridade e poder como militar. A partir desta confiança do centurião Jesus afirma que não encontrou em ninguém de Israel tanta fé. 
A narrativa vem revelar a abertura do Reino dos Céus àqueles que não eram judeus, considerados gentios, os quais se juntam aos patriarcas, Abraão, Isaac e Jacó, enquanto que o próprio Israel permanece à margem, rejeitando Jesus. O tempo do Advento é o tempo do amadurecimento da fé em Jesus, filho de Maria e filho de Deus. 

domingo, 27 de novembro de 2011

27 de Novembro, dia de Nossa Senhora das Graças


    Em uma tarde de sábado, no dia 27 de novembro de 1830, na capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Santa Catarina Labouré teve uma visão de Nossa Senhora. A Virgem Santíssima estava de pé sobre um globo, segurando com as duas mãos um outro globo menor, sobre o qual aparecia uma cruzinha de ouro. Dos dedos das suas mãos, que de repente encheram-se de anéis com pedras preciosas, partiam raios luminosos em todas as direções e, num gesto de súplica, Nossa Senhora oferecia o globo ao Senhor.

    Santa Catarina Labouré relatou assim sua visão: "A Virgem Santíssima baixou para mim os olhos e me disse no íntimo de meu coração: 'Este globo que vês representa o mundo inteiro (...) e cada pessoa em particular. Eis o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que as pedem.' Desapareceu, então, o globo que tinha nas mãos e, como se estas não pudessem já com o peso das graças, inclinaram-se para a terra em atitude amorosa. Formou-se em volta da Santíssima Virgem um quadro oval, no qual em letras de ouro se liam estas palavras que cercavam a mesma Senhora: Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. Ouvi, então, uma voz que me dizia: 'Faça cunhar uma medalha por este modelo; todas as pessoas que a trouxerem receberão grandes graças, sobretudo se a trouxerem no pescoço; as graças serão abundantes, especialmente para aqueles que a usarem com confiança.' "

    Então o quadro se virou, e no verso apareceu a letra M, monograma de Maria, com uma cruz em cima, tendo um terço na base; por baixo da letra M estavam os corações de Jesus e sua Mãe Santíssima. O primeiro cercado por uma coroa de espinhos, e o segundo atravessado por uma espada. Contornando o quadro havia uma coroa de doze estrelas.

    A mesma visão se repetiu várias vezes, sobre o sacrário do altar-mor; ali aparecia Nossa Senhora, sempre com as mãos cheias de graças, estendidas para a terra, e a invocação já referida a envolvê-la.

    O Arcebispo de Paris, Dom Quelen, autorizou a cunhagem da medalha e instaurou um inquérito oficial sobre a origem e os efeitos da medalha, a que a piedade do povo deu o nome de Medalha Milagrosa, ou Medalha de Nossa Senhora das Graças. A conclusão do inquérito foi a seguinte: "A rápida propagação, o grande número de medalhas cunhadas e distribuídas, os admiráveis benefícios e graças singulares obtidos, parecem sinais do céu que confirmam a realidade das aparições, a verdade das narrativas da vidente e a difusão da Medalha".

    Nossa Senhora da Medalha Milagrosa é a mesma Nossa Senhora das Graças, por ter Santa Catarina Labouré ouvido, no princípio da visão, as palavras: "Estes raios são o símbolo das Graças que Maria Santíssima alcança para os homens."


Veja depoimentos de quem alcançou a graça por ela: http://www.arnsg.org.br/testimonylist.htmlVeja depoimentos:

sábado, 26 de novembro de 2011

Ficai atentos e orai


Leitura Orante
Lc 21,34-36


"Cuidado para que vossos corações não fiquem pesados por causa dos excessos, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós, pois cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de conseguirdes escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes de pé diante do Filho do Homem".

Cuidado...vigiai e orai


Lucas encerra o "discurso escatológico" de Jesus sobre a ruína do Templo e de Jerusalém com as exortações à vigilância e à oração contínua. São duas atitudes fundamentais na vivência no Reino de Deus, na comunidade e na missão. "Cuidado", pois muitas são as seduções procurando afastar o discípulo do caminho no seguimento de Jesus. O mercado, que gera lucros fabulosos para os donos do poder a partir da exploração dos oprimidos, seduz e ilude as pessoas prometendo-lhes enriquecimento e oferecendo-lhes sofisticados produtos para o consumo. O empenho em usufruir da sociedade de mercado escraviza, torna o coração pesado e individualista, devido a preocupação com o gozo e o sucesso pessoal. Portanto, "cuidado... vigiai e orai a todo momento". Vigiar é cuidar de preservar sua liberdade e estar atento às necessidades dos pobres e dos oprimidos, procurando libertá-los das estruturas e dos mecanismos de dominação que os exploram. A oração contínua é a oração do coração, a oração do compromisso, a oração em comunidade. A oração é estar em presença de Deus, identificando-se com sua vontade e buscando luzes e forças para a realizar. Assim encerra-se hoje o ano litúrgico. Com o início do Advento, outro ano se segue, envolvendo, dia a dia, nossos corações no seguimento de Jesus.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Tudo passa, mas a Palavra não!

Leitura Orante
Lc 21,29-33


E Jesus contou-lhes uma parábola: "Olhai a figueira e todas as árvores. Quando começam a brotar, basta olhá-las para saber que o verão está perto. Vós, do mesmo modo, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Reino de Deus está perto. Em verdade vos digo: esta geração não passará antes que tudo aconteça. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.


O Reino de Deus já está acontecendo

Temos neste texto uma curta parábola cheia de conteúdo. As árvores que brotam indicam a proximidade do verão. Os brotos e as flores do verão prenunciam o outono, tempo de frutos e colheita. A expressão "Vós, do mesmo modo... ficai sabendo..." indica a incompreensão dos discípulos, com sua visão messiânico-judáica-escatológica, a ser superada. O escatológico apocalíptico tem sua origem na tradição do Dia de Javé, o dia da vingança sobre os inimigos de Israel. Os discípulos e as comunidades viviam a tensão entre o escatológico e o "hoje". Contudo o Reino de Deus está perto, ao alcance de cada um e de todos. O Reino acontece com a encarnação do Filho de Deus, que é a nova criação e a salvação, que permanece hoje. É o Reino entre nós. "Nasceu-vos hoje um Salvador... hoje se cumpriu esta escritura que estais ouvindo... é preciso que eu permaneça em tua casa hoje... hoje a salvação chegou a esta casa... hoje mesmo estarás comigo no Paraíso". A tensão que se estabelece é a tensão da esperança. A esperança é o desejo ardente de realizar, hoje, a vontade de Deus. O Reino de Deus já está acontecendo. É a sedução do bem, da vida, da comunhão com Deus, da solidariedade, da fraternidade, da partilha, da alegria. E as palavras de Jesus são anunciadas como convite a participar do banquete da Vida.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Motivação à esperança - Dia de Ação de Graças


Leitura Orante
Lc 21,20-28


Jesus disse ainda:
- Quando vocês virem a cidade de Jerusalém cercada por exércitos, fiquem sabendo que logo ela será destruída. Então, os que estiverem na região da Judéia, que fujam para os montes. Quem estiver na cidade, que saia logo. E quem estiver no campo, que não entre na cidade. Porque aqueles dias serão os "Dias do Castigo", e neles acontecerá tudo o que as Escrituras Sagradas dizem. Ai das mulheres grávidas e das mães que ainda estiverem amamentando naqueles dias! Porque virá sobre a terra uma grande aflição, e cairá sobre esta gente um terrível castigo de Deus. Muitos serão mortos à espada, e outros serão levados como prisioneiros para todos os países do mundo. E os não-judeus conquistarão Jerusalém, até que termine o tempo de eles fazerem isso.
E Jesus continuou:
- Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. E, na terra, todas as nações ficarão desesperadas, com medo do terrível barulho do mar e das ondas. Em todo o mundo muitas pessoas desmaiarão de terror ao pensarem no que vai acontecer, pois os poderes do espaço serão abalados. Então o Filho do Homem aparecerá descendo numa nuvem, com poder e grande glória. Quando essas coisas começarem a acontecer, fiquem firmes e de cabeça erguida, pois logo vocês serão salvos.

A vinda do Filho do Homem

Este "discurso escatológico" iniciado com o prenúncio da destruição do Templo, refere-se agora à destruição de Jerusalém, que teve um trágico fim. Lucas escreve seu evangelho na década de oitenta, cerca de dez anos após Jerusalém ter sido destruída pelas tropas do general romano Tito, e seu texto inspira-se no fato já acontecido.
Em conclusão temos a narrativa apocalíptica da vinda do Filho do Homem. Os sinais no sol, na lua e nas estrelas e as potências celestes abaladas são símbolos assustadores da queda dos poderes opressores. A vinda do Filho do Homem é a libertação e o restabelecimento do humano e da vida, no que se manifesta a glória de Deus.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Presos e perseguidos por causa do Reino

Leitura Orante
Lc 21,12-19

- Mas, antes de acontecer tudo isso, vocês serão presos e perseguidos. Vocês serão entregues para serem julgados nas sinagogas e depois serão jogados na cadeia. Por serem meus seguidores, vocês serão levados aos reis e aos governadores para serem julgados. E isso dará oportunidade a vocês para anunciarem o evangelho. Resolvam desde já que não vão ficar preocupados, antes da hora, com o que dirão para se defender. Porque eu lhes darei palavras e sabedoria que os seus inimigos não poderão resistir, nem negar. Vocês serão entregues às autoridades pelos seus próprios pais, irmãos, parentes e amigos, e alguns de vocês serão mortos. Todos odiarão vocês por serem meus seguidores. Mas nem um fio de cabelo de vocês será perdido. Fiquem firmes, pois assim vocês serão salvos. 

Enfrentando as tribulações

Em sequência ao discurso sobre a destruição do Templo, Lucas narra a fala de Jesus sobre as perseguições que os discípulos sofrerão. Estas têm um alcance escatológico, isto é, anteciparão não só a destruição de Jerusalém, mas também a própria Parusia. Os discípulos serão perseguidos, tanto pelas sinagogas judaicas, como por reis e governadores gentios. As provações são as ocasiões mais expressivas para confirmar a autenticidade do testemunho da fidelidade a Jesus. Este mesmo texto é encontrado também, com pequenas diferenças, em Mateus. Mateus o insere no discurso de envio missionário dos apóstolos. Com estas variações pode-se perceber como os evangelistas organizam de maneira didática as memórias de Jesus, conservadas nas primeiras comunidades, para orientar e fortalecer a fé de suas comunidades. Estes textos exprimem como, desde o início da ação missionária, os discípulos, ao longo da história, comprometidos com o projeto de Jesus, têm enfrentado as diversas provações impostas pelos poderosos. A fidelidade a Jesus, enfrentando as tribulações, é o caminho para a vida eterna. 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Grandes sinais

Leitura Orante
Lc 21,5-11


Algumas pessoas estavam falando de como o Templo era enfeitado com bonitas pedras e com as coisas que tinham sido dadas como ofertas. Então Jesus disse:
- Chegará o dia em que tudo isso que vocês estão vendo será destruído. E não ficará uma pedra em cima da outra.
Aí eles perguntaram:
- Mestre, quando será isso? Que sinal haverá para mostrar quando é que isso vai acontecer?
Jesus respondeu:
- Tomem cuidado para que ninguém engane vocês. Porque muitos vão aparecer fingindo ser eu, dizendo: "Eu sou o Messias" ou "Já chegou o tempo". Porém não sigam essa gente. Não tenham medo quando ouvirem falar de guerras e de revoluções. Pois é preciso que essas coisas aconteçam primeiro. Mas isso não quer dizer que o fim esteja perto.
E continuou:
- Uma nação vai guerrear contra outra, e um país atacará outro. Em vários lugares haverá grandes tremores de terra, falta de alimentos e epidemias. Acontecerão coisas terríveis, e grandes sinais serão vistos no céu.

A presença atual do Filho do Homem

Iniciando com a admiração de algumas pessoas diante da beleza do Templo, Lucas apresenta o "discurso "escatológico" sobre a destruição de Jerusalém (cap. 21). Todo poder tem como arma a ostentação, desde as pirâmides dos faraós até as torres da atual capital econômica do Império. A ostentação do Templo levava as pessoas a admirarem, se curvarem e se submeterem. Porém, toda ostentação terá seu fim, pedra por pedra, torre por torre. A palavra de Jesus sobre a destruição do Templo, além de sua associação a um fato histórico acontecido, tem o sentido do abandono da antiga doutrina emanada do Templo para dar lugar à novidade de Jesus. O advento de falsos profetas ou de guerras e abalos telúricos não são sinais da proximidade do fim. Antes, os discípulos devem despertar para a presença atual do Filho do Homem, na pessoa de Jesus, transformando o mundo por sua palavra e sua prática amorosa.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ser da família de Deus

Leitura Orante
Mt 12,46-50

Enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém lhe disse: "Olha! Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar contigo". Ele respondeu àquele que lhe falou: "Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?" E, estendendo a mão para os discípulos, acrescentou: "Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe".

A paternidade de Deus

Encontramos esta narrativa nos três evangelhos sinóticos. O destaque é a questão dos laços familiares dos discípulos de Jesus. A questão fica perfeitamente delineada na frase inicial: enquanto as multidões estão junto de Jesus, sua mãe e seus irmãos "ficam de fora". As multidões são aqueles que, curiosos e esperançosos, estão buscando algo de novo, atentos a Jesus. Porém ainda não se definiram. Mateus destaca, então, dentre a multidão, a presença dos discípulos, em direção aos quais Jesus estende a mão. Discípulos são aqueles que, dentre a multidão, já deram o passo decisivo no seguimento de Jesus. A família fica de fora. Aí, a palavra decisiva de Jesus: "...todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe." É característico de Mateus destacar a paternidade de Deus: "a vontade do meu Pai, que está nos céus". Vamos reencontrá-la na oração do Pai-Nosso. Está feita uma advertência à família consangüínea, em geral conservadora, no sentido de abrir-se na acolhida a Jesus, empenhando-se em fazer a vontade do Pai. Os discípulos superando os limites da família, abandonam-se à vontade do Pai e unem-se em uma grande família em torno de Jesus.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Jesus expulsou os vendedores do Templo


Leitura Orante
Lc 19,45-48


Depois, Jesus entrou no templo e começou a expulsar os que ali estavam vendendo. E disse: "Está escrito: 'Minha casa será casa de oração'. Vós, porém, fizestes dela um covil de ladrões". Todos os dias, ele ficava ensinando no templo. Os sumos sacerdotes, os escribas e os notáveis do povo procuravam um modo de matá-lo. Mas não sabiam o que fazer, pois o povo todo ficava fascinado ao ouvi-lo falar.

O Templo devia ser casa de oração

A ida de Jesus a Jerusalém e a denúncia ao Templo é o desfecho dos conflitos com as sinagogas durante o seu ministério na Galiléia. As palavras e a prática de Jesus, ao longo de seu anúncio do Reino, orientam-se para a restauração da vida, onde ela está ameaçada (é o "levantar-se", ou "ressurreição"). Assim Jesus denuncia todo sistema que oprime as pessoas e rouba-lhes a vida. No mundo judaico o povo era oprimido e explorado pelas castas religiosas e latifundiárias. O judaísmo era uma teocracia, isto é, um poder religioso, político e econômico. A sede desta teocracia era Jerusalém e, em Jerusalém, o Templo. No Templo havia uma dependência, o Tesouro, onde eram depositadas as riquezas acumuladas das ofertas dos fieis. As inúmeras e minuciosas observâncias legais, impossíveis de serem observadas, pesavam sobre o povo, que, oprimido, era taxado de "pecador". Os inúmeros tributos e ofertas exigidos pelo Templo eram uma extorsão sobre o povo empobrecido. O ataque de Jesus ao Templo visa abalar este núcleo de poder, em vista da libertação de seu povo, e merece sua sentença de morte. O Templo devia ser casa de oração. Com Jesus, o Templo é a comunidade de discípulos e cada discípulo que faz a vontade do Pai, vivendo em comunhão fraterna com os irmãos.