quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Jesus é apresentado no Templo

Leitura Orante
Lc 2,22-35


Chegou o dia de Maria e José cumprirem a cerimônia da purificação, conforme manda a Lei de Moisés. Então eles levaram a criança para Jerusalém a fim de apresentá-la ao Senhor. Pois está escrito na Lei do Senhor: "Todo primeiro filho será separado e dedicado ao Senhor." Eles foram lá também para oferecer em sacrifício duas rolinhas ou dois pombinhos, como a Lei do Senhor manda.
Em Jerusalém morava um homem chamado Simeão. Ele era bom e piedoso e esperava a salvação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele, e o próprio Espírito lhe tinha prometido que, antes de morrer, ele iria ver o Messias enviado pelo Senhor. Guiado pelo Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais levaram o menino Jesus ao Templo para fazer o que a Lei manda, Simeão pegou o menino no colo e louvou a Deus. Ele disse:
- Agora, Senhor, cumpriste a promessa que fizeste e já podes deixar este teu servo partir em paz.
Pois eu já vi com os meus próprios olhos a tua salvação, que preparaste na presença de todos os povos:
uma luz para mostrar o teu caminho a todos os que não são judeus e para dar glória ao teu povo de Israel.
O pai e a mãe do menino ficaram admirados com o que Simeão disse a respeito dele. Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus:
- Este menino foi escolhido por Deus tanto para a destruição como para a salvação de muita gente em Israel. Ele vai ser um sinal de Deus; muitas pessoas falarão contra ele, e assim os pensamentos secretos delas serão conhecidos. E a tristeza, como uma espada afiada, cortará o seu coração, Maria.

Cumprimento do preceito legal

A narrativa de Lucas se desenvolve sobre o pano de fundo do cumprimento do preceito legal da purificação. A Lei é mencionada cinco vezes. Como contraste, o centro da narrativa é o menino como sinal de contradição. O menino que cresce, forte, cheio de sabedoria e graça, irá condenar as exclusões sócio-religiosas por critérios de pureza e as estritas observâncias legais, bem como a ambição do dinheiro que vigorava no Templo.
Aquele, que na fragilidade da criança era submisso à ideologia da Lei, na maturidade liberta-se e passa a proclamar o amor e a vida como sendo os referenciais fundamentais no projeto de Deus.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O outro discípulo


Leitura Orante
Jo 20,2-8


Ela saiu correndo e foi se encontrar com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus mais amava. Disse-lhes: "Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram". Pedro e o outro discípulo saíram e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, e o outro discípulo correu mais depressa, chegando primeiro ao túmulo. Inclinando-se, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Simão Pedro, que vinha seguindo, chegou também e entrou no túmulo. Ele observou as faixas de linho no chão, e o pano que tinha coberto a cabeça de Jesus: este pano não estava com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu.

João, o discípulo amado

No evangelho de João encontramos um discípulo não identificado. Ele é mencionado cinco vezes como "o discípulo que Jesus amava", três vezes como "o outro discípulo" e uma vez como um dentre "dois de seus discípulos" (um, incógnito e outro, André; cf. 1,35.40). A tradição identificou-o com o próprio autor do evangelho, que seria o apóstolo João, irmão de Tiago, mencionado nos evangelhos sinóticos. Hoje, com o aprofundamento da compreensão dos textos bíblicos a partir de séculos de experiências eclesiais e comunitárias, levanta-se também a possibilidade de que o autor do evangelho pretendia, através deste discípulo anônimo, dirigir-se ao próprio leitor de seu texto. É ao leitor que Jesus ama e fala. O núcleo desta narrativa do encontro do túmulo vazio está na caracterização da fé do discípulo. É a fé penetrante que reconhece a eternidade de Jesus presente em sua humanidade. Não são necessárias visões do ressuscitado para crer. Todo o evangelho de João já o deixa perceber.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Por causa de Jesus



Leitura Orante
Mt 10,17-22


Cuidado com as pessoas, pois vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. Por minha causa, sereis levados diante de governadores e reis, de modo que dareis testemunho diante deles e diante dos pagãos. Quando vos entregarem, não vos preocupeis em como ou o que falar. Naquele momento vos será dado o que falar, pois não sereis vós que falareis, mas o Espírito do vosso Pai falará em vós. O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais e os matarão. Sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo.

Estêvão, o primeiro mártir

Jesus chamara os doze apóstolos, enviando-os em missão, com diversas recomendações para o seu exercício. Agora os adverte sobre as perseguições que sobrevirão aos missionários. Alguns ditos de Jesus, neste texto de Mateus, também estarão repetidos no discurso escatológico, sobre o fim dos tempos, às vésperas da crucifixão. As perseguições aos missionários se darão a partir dos poderosos, governadores, reis e sinagogas. A reação vem tanto do império romano como da instituição judaica. É admirável a convicção da presença e ação do Espírito do Pai nos missionários, que tudo enfrentarão com destemor e desembaraço. Na primitiva igreja de Jerusalém, os diáconos foram escolhidos para servir às mesas, serviço secundário, enquanto os apóstolos dedicavam-se à Palavra de Deus (At 6,2-3). Contudo, foi um diácono, Estevão, quem ousou anunciar a Palavra com tal destemor que tornou-se o primeiro discípulo a ser martirizado pelos judeus.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Bendita entre as mulheres


Leitura Orante
Lc 1,39-45


Naqueles dias, Maria partiu apressadamente dirigindo-se a uma cidade de Judá. Ela entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com voz forte, ela exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a tua saudação ressoou nos meus ouvidos, o menino pulou de alegria no meu ventre. Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!".

Deus se faz humano

Lucas, com sua narrativa da visitação de Maria a Isabel, faz a articulação entre os anúncios do anjo Gabriel a Zacarias e a Maria e o nascimento dos meninos, João e Jesus. A antiga religião do Templo de Jerusalém, representada por Zacarias é ultrapassada pela nova realidade da presença divina no ventre de Maria. O menino, João, pula de alegria no ventre de Isabel, quando esta ouve a saudação de Maria. Isto significa que João reconheceu a presença e o senhorio de Jesus já quando ainda estavam ambos nos ventres de suas mães.
Destacando a passagem da antiga religião para a nova realidade presente em Jesus, Lucas também induz os discípulos de João Batista, que formavam um grupo autônomo em seu tempo, a se unirem ao movimento de Jesus.
Nas narrativas de infância de Jesus e na exaltação de uma mulher a sua mãe (Lc 11,27) por seis vezes Lucas destaca o ventre de Maria como o lugar do encontro entre o divino e o humano, na concepção e gestação de Jesus. Fica assim, em evidência, que a encarnação é o acontecimento salvífico, pelo qual, Deus fazendo-se humano, a humanidade é assumida na condição divina e eterna.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Maria diz sim a Deus


Leitura Orante
Lc 1,26-38


Quando Isabel estava no sexto mês de gravidez, Deus enviou o anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré. O anjo levava uma mensagem para uma virgem que tinha casamento contratado com um homem chamado José, descendente do rei Davi. Ela se chamava Maria. O anjo veio e disse:
- Que a paz esteja com você, Maria! Você é muito abençoada. O Senhor está com você.
Porém Maria, quando ouviu o que o anjo disse, ficou sem saber o que pensar. E, admirada, ficou pensando no que ele queria dizer. Então o anjo continuou:
- Não tenha medo, Maria! Deus está contente com você. Você ficará grávida, dará à luz um filho e porá nele o nome de Jesus. Ele será um grande homem e será chamado de Filho do Deus Altíssimo. Deus, o Senhor, vai fazê-lo rei, como foi o antepassado dele, o rei Davi. Ele será para sempre rei dos descendentes de Jacó, e o Reino dele nunca se acabará.
Então Maria disse para o anjo:
- Isso não é possível, pois eu sou virgem!
O anjo respondeu:
- O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Deus Altíssimo a envolverá com a sua sombra. Por isso o menino será chamado de santo e Filho de Deus. Fique sabendo que a sua parenta Isabel está grávida, mesmo sendo tão idosa. Diziam que ela não podia ter filhos, no entanto agora ela já está no sexto mês de gravidez. Porque para Deus nada é impossível.
Maria respondeu:
- Eu sou uma serva de Deus; que aconteça comigo o que o senhor acabou de me dizer!
E o anjo foi embora.

Anúncio a Maria

Nestes dias que antecedem o Natal, Lucas, na sequência de seu evangelho, após o anúncio do nascimento de João Batista a Zacarias, apresenta o anúncio a Maria. Com o sim da jovem Maria céus e terra se unem. O humano é elevado ao divino e Deus se faz presente entre os humanos. E isto acontece na intimidade de uma casa pobre na periferia, em Nazaré, na Galiléia. É a humanidade chamada à participação da vida divina e eterna! Não se trata de um simples processo evolutivo. A inserção e a participação na vida divina decorre, não de atos instintivos, mas de atos conscientes de amor, inspirados pelo Espírito. Somos eternamente gratos a Maria por sua adesão a esta projeto do Pai.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O nascimento de João Batista

Leitura Orante
Lc 1,5-25


Quando Herodes era o rei da terra de Israel, havia um sacerdote chamado Zacarias, que era do grupo dos sacerdotes de Abias. A esposa dele se chamava Isabel e também era de uma família de sacerdotes. Esse casal vivia a vida que para Deus é correta, obedecendo fielmente a todas as leis e mandamentos do Senhor. Mas não tinham filhos porque Isabel não podia ter filhos e porque os dois já eram muito velhos.
Certo dia no Templo de Jerusalém, Zacarias estava fazendo o seu trabalho de sacerdote, pois era a sua vez de fazer aquele trabalho diário. Conforme o costume dos sacerdotes, ele havia sido escolhido por sorteio para queimar o incenso no altar e por isso entrou no Templo do Senhor. Durante o tempo em que o incenso queimava, o povo lá fora fazia orações. Então um anjo do Senhor apareceu em frente de Zacarias, de pé, do lado direito do altar. Quando Zacarias o viu, ficou com medo e não sabia o que fazer. Mas o anjo lhe disse:
- Não tenha medo, Zacarias, pois Deus ouviu a sua oração! A sua esposa vai ter um filho, e você porá nele o nome de João. O nascimento dele vai trazer alegria e felicidade para você e para muita gente, pois para o Senhor Deus ele será um grande homem. Ele não deverá beber vinho nem cerveja. Ele será cheio do Espírito Santo desde o nascimento e levará muitos israelitas ao Senhor, o Deus de Israel. Ele será mandado por Deus como mensageiro e será forte e poderoso como o profeta Elias. Ele fará com que pais e filhos façam as pazes e que os desobedientes voltem a andar no caminho direito. E conseguirá preparar o povo de Israel para a vinda do Senhor.
Então Zacarias perguntou ao anjo:
- Como é que eu vou saber que isso é verdade? Estou muito velho, e a minha mulher também.
O anjo respondeu:
- Eu sou Gabriel, servo de Deus, e ele me mandou falar com você para lhe dar essa boa notícia. Você não está acreditando no que eu disse, mas isso acontecerá no tempo certo. E, porque você não acreditou, você ficará mudo e não poderá falar até o dia em que o seu filho nascer.
Enquanto isso, o povo estava esperando Zacarias, e todos estavam admirados com a demora dele no Templo. Quando saiu, Zacarias não podia falar. Então perceberam que ele havia tido uma visão no Templo. Sem poder falar, ele fazia sinais com as mãos para o povo.
Quando terminaram os seus dias de serviço no Templo, Zacarias voltou para casa. Pouco tempo depois Isabel, a sua esposa, ficou grávida e durante cinco meses não saiu de casa. E ela disse:
- Agora que o Senhor me ajudou, ninguém mais vai me desprezar por eu não ter filhos.

Jesus - sinal de contradição

Lucas, após um breve prólogo onde justifica seu trabalho redacional do evangelho, narra o anúncio do nascimento de João (Batista) e de Jesus (cf. 20 dez), feito pelo anjo Gabriel, sucessivamente a Zacarias e a Maria. Assim, João e Jesus estão associados entre si desde suas concepções milagrosas. Marcos começa o seu evangelho, o primeiro dos canônicos a ser escrito, com o batismo de João como momento inaugural do ministério de Jesus. Mateus e Lucas, por sua vez fazem a introdução a este batismo inaugural de Jesus com suas narrativas de infância, cada um com um sentido teológico próprio. Mateus apresenta Jesus inserido na genealogia davídica, como aquele que vem cumprir as escrituras. Lucas apresenta Jesus como sinal de contradição, o que já vem acontecendo com seu precursor, João Batista.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

João era a lâmpada

Leiura Orante
Jo 5,33-36


Vós mandastes perguntar a João, e ele deu testemunho da verdade. Ora, eu não recebo testemunho da parte de um ser humano, mas digo isso para a vossa salvação. João era a lâmpada que iluminava com sua chama ardente, e vós gostastes, por um tempo, de alegrar-vos com a sua luz. Mas eu tenho um testemunho maior que o de João: as obras que o Pai me concedeu realizar. As obras que eu faço dão testemunho de mim, pois mostram que o Pai me enviou.

João Batista testemunhou a verdade

O evangelho de João narra que João Batista, logo no início de seu ministério "em Betânia, do outro lado do Jordão", foi interrogado por enviados das autoridades de Jerusalém (Jo 1,19-28). João Batista testemunhou a verdade, perante eles. Ele era o precursor de alguém que viria, maior do que ele. João é o princípio da salvação para aqueles que acolhem o compromisso decorrente de seu batismo. Porém o testemunho de João é limitado em relação à grandiosidade da novidade de Jesus. Todos os evangelistas reconhecem a importância de João como fundamento do ministério de Jesus. Porém insistem em mostrar como Jesus supera quaisquer expectativas humanas. A prova da autenticidade de Jesus, de sua filiação divina e de sua missão, são suas próprias ações de comunicação da vida. O Pai é o Deus da vida e a vida que se comunica na plenitude do amor é a obra de Deus. A comunicação da vida se faz sentir em contraste maior quando ela se faz aos oprimidos, explorados e excluídos, libertando-os, restaurando sua dignidade, sua capacidade de agir com autonomia gerando comunidades abertas e solidárias onde se vive a fraternidade na alegria e na paz. O próprio amor com que Jesus se comunicou com todos testemunha em seu favor.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Um profeta


Leitura Orante
Lc 7,24-30


Depois que os mensageiros de João partiram, Jesus começou a falar às multidões sobre João: "Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Os que vestem roupas finas e vivem no luxo estão nos palácios dos reis. Que fostes ver então? Um profeta? Sim, eu vos digo, e mais que um profeta... Eu vos digo: entre todos os nascidos de mulher não há ninguém maior do que João. No entanto, o menor no Reino de Deus é maior do que ele. Todo o povo que o escutava e até os publicanos reconheceram a justiça de Deus e deixaram-se batizar por ele. Mas os fariseus e os doutores da Lei recusaram ser batizados por João e desprezaram os planos de Deus a respeito deles".

O valor de João

A exaltação de João Batista, feita por Jesus, revela a sua importância no projeto de Deus com a encarnação de seu Filho. João era realmente um grande profeta, dando um autêntico testemunho que atraiu a si o povo. Na encarnação, Jesus assume, não só sua humanidade individualizada, mas a humanidade toda, com todos os seus valores, em tudo que é bom, justo e verdadeiro. O próprio Jesus colhe e incorpora estes valores no seu convívio com as pessoas. João Batista é notável pelo seu sentido de justiça e pela ousadia com que se libertou dos vínculos opressores do judaísmo, com sede no Templo de Jerusalém e nas sinagogas. João não é um caniço agitado pelo vento, nem um homem vestido com roupas finas; é um homem livre e dedicado à causa da justiça que promove a vida. Jesus reconhece o valor de João e assume o seu anúncio revelando que é pelo caminho da fraternidade, da justiça e do amor que se faz a comunhão de vida eterna com Deus.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Viram e ouviram Jesus

Leitura Orante
Lc 7,19-23


João, então, chamou dois deles e os enviou ao Senhor, para perguntar: "És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?" Eles foram ter com Jesus e disseram: "João Batista nos mandou a ti para perguntar se tu és aquele que há de vir ou se devemos esperar outro". Naquela ocasião, Jesus havia curado a muitos de suas doenças, moléstias e espíritos malignos, e proporcionado a vista a muitos cegos. Respondeu, pois: "Ide contar a João o que vistes e ouvistes: cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são purificados e surdos ouvem, mortos ressuscitam e a pobres se anuncia a Boa-Nova. E feliz de quem não se escandaliza a meu respeito".

Expectativa do Messias glorioso

Estando João na prisão, ouviu falar das obras de Jesus. João havia anunciado um juízo severo, com o machado já posto à raiz das árvores; as que não derem frutos serão cortadas e queimadas pelo messias. Contudo Jesus não estava julgando e castigando ninguém, porém chamado todos à conversão. Daí a pergunta dos enviados por João: "És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?". Esta interrogação não era só dos discípulos de João, mas, também, dos próprios discípulos de Jesus, e das comunidades que se formaram, depois, ainda sob a expectativa do messias glorioso. Jesus, então, relata sua missão, expressa em suas obras: são obras libertadoras que promovem a vida e ilumina e liberta os pobres submissos à ideologia excludente e opressora dos poderosos. São os sinais da chegada do Reino, com o sinal maior: os pobres são evangelizados. Esta evangelização se exprime na solidariedade e promoção dos empobrecidos, derrubando as barreiras da exclusão levantadas pelos ambiciosos da riqueza.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Santa Luzia

13 de dezembro

Santa Luzia ou Lúcia
Somente em 1894 o martírio da jovem Luzia, também chamada Lúcia, foi devidamente confirmado, quando se descobriu uma inscrição escrita em grego antigo sobre o seu sepulcro, em Siracusa, Nápoles. A inscrição trazia o nome da mártir e confirmava a tradição oral cristã sobre sua morte no início do século IV. 

Mas a devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão ("Luzia" deriva de "luz"), já era exaltada desde o século V. Além disso, o papa Gregório Magno, passado mais um século, a incluiu com todo respeito para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira. 

Diz a antiga tradição oral que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura. Foi enaltecida pelo magnífico escritor Dante Alighieri, na obra "A Divina Comédia", que atribuiu a santa Luzia a função da graça iluminadora. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje. 

Luzia pertencia a uma rica família napolitana de Siracusa. Sua mãe, Eutíquia, ao ficar viúva, prometeu dar a filha como esposa a um jovem da Corte local. Mas a moça havia feito voto de virgindade eterna e pediu que o matrimônio fosse adiado. Isso aconteceu porque uma terrível doença acometeu sua mãe. Luzia, então, conseguiu convencer Eutíquia a segui-la em peregrinação até o túmulo de santa Águeda ou Ágata. A mulher voltou curada da viagem e permitiu que a filha mantivesse sua castidade. Além disso, também consentiu que dividisse seu dote milionário com os pobres, como era seu desejo. 

Entretanto quem não se conformou foi o ex-noivo. Cancelado o casamento, foi denunciar Luzia como cristã ao governador romano. Era o período da perseguição religiosa imposta pelo cruel imperador Diocleciano; assim, a jovem foi levada a julgamento. Como dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Conta a tradição que, embora Luzia não movesse um dedo, nem dez homens juntos conseguiram levantá-la do chão. Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. Era o ano 304. 

Para proteger as relíquias de santa Luzia dos invasores árabes muçulmanos, em 1039, um general bizantino as enviou para Constantinopla, atual território da Turquia. Elas voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária. Santa Luzia é celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa, que a venera no mês de maio também.

Coerência

Leitura Orante
Mt 21,28-32

"Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse: 'Filho, vai trabalhar hoje na vinha!' O filho respondeu: 'Não quero'. Mas depois mudou de atitude e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu:' Sim, senhor, eu vou'. Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?" Os sumos sacerdotes e os anciãos responderam: "O primeiro." Então Jesus lhes disse: "Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Pois João veio até vós, caminhando na justiça, e não acreditastes nele. Mas os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes, para crer nele. 

A parábola dos dois filhos

Logo depois de sua chegada a Jerusalém, quando expulsou os comerciantes do Templo, Jesus é questionado pelos chefes religiosos deste Templo. Depois de confundi-los sobre a questão da autenticidade do batismo de João, Jesus dirige-lhes esta parábola simples. O primeiro filho se indispôs a cumprir a vontade do Pai, mas depois mudou e a fez. O segundo filho se dispôs a cumpri-la, mas não a fez. Interrogados por Jesus, os chefes religiosos concordam que foi o primeiro filho que fez a vontade do pai. Jesus os faz ver que não foi isto que eles próprios fizeram. João veio anunciando a vontade do Pai na conversão e na prática da justiça, mas estes chefes e autoridades não acreditaram nele. Satisfaziam-se com a justificativa de serem observantes da Lei e de se proclamarem filhos de Abraão, mas na prática não cumpriam a vontade de Deus. A conversão à justiça, já proposta por João, nos prepara para o advento de Jesus, que nos introduz no reino de partilha, no amor fraterno e eterno.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Maria visita Isabel

Leitura Orante
Lc 1,39-47

Naqueles dias, Maria partiu apressadamente dirigindo-se a uma cidade de Judá. Ela entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com voz forte, ela exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a tua saudação ressoou nos meus ouvidos, o menino pulou de alegria no meu ventre. Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!". Maria então disse: "A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. 

Maria e Isabel. Jesus e João

Ao descreverem o relacionando entre João Batista e Jesus, os evangelistas o fazem em uma perspectiva teológica, atestando a subordinação de João a Jesus. De fato, muitos discípulos de João Batista, após sua morte, ficaram à parte do movimento de Jesus, fixados na figura de João. O realce da submissão de João a Jesus visa atrair estes discípulos para o movimento de Jesus. No episódio da Visitação a supremacia de Jesus sobre João é evidenciada desde os ventres maternos. Duas mulheres: Maria, esposa de um operário de Nazaré, na Galiléia, e Isabel, esposa de um sacerdote no Templo de Jerusalém. Dois meninos: o que será o Salvador, originário da região gentílica periférica, e o seu Precursor, originário da região urbana privilegiada do judaísmo central. Ao ouvir a saudação de Maria, Isabel e o filho ficam cheios do Espírito Santo. Isabel, então, transborda em um hino de exaltação, proclamando Maria bem-aventurada por ter crido, e Maria entoa um hino de louvor ao Deus libertador dos pobres e oprimidos.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Os discípulos ouviam e compreendiam o Mestre

Leitura Orante
Mt 17,10-13

Os discípulos perguntaram a Jesus: "Por que os escribas dizem que primeiro deve vir Elias?" Ele respondeu: "Sim, Elias vem; e porá tudo em ordem. E eu vos digo mais: Elias já veio, e não o reconheceram. Pelo contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles." Então os discípulos compreenderam que ele lhes havia falado de João Batista.

Jesus fala do Batista

No tempo de Jesus manifestavam-se expectativas messiânicas diferenciadas dentro do judaísmo. O messianismo mais antigo se estabelecia em torno da figura de Davi, e deixara profundas raízes entre o povo. A tradição apresentava Davi como rei ungido (messias ou cristo) poderoso que criara um grande império, alimentando com isto o orgulho nacionalista de Israel. Sob o jugo de outros impérios, sonhava-se, então, com um novo Davi. A tradição retinha também a figura de Moisés, libertador da opressão sob o Egito e legislador. Moisés reúne as características de profeta e messias libertador. E a figura carismática e popular de Elias, profeta do norte, entra também, tardiamente, nas expectativas messiânicas. Esta se baseia nos últimos versículos do profeta Malaquias (3,22-23), de acordo com a interpretação de alguns grupos de escribas. Elias caracterizara-se pela denúncia do rei Acab com suas infidelidades e injustiças. As expectativas messiânicas populares em torno de Elias poderiam significar a insatisfação com o poder teocrático em vigor entre os judeus. Jesus reconhece em João Batista e nele próprio características comuns com Elias. Reconhece, particularmente, que o fim violento de João Batista será também o seu fim. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A sabedoria de Deus

Leitura Orante
Mt 11,16-19

- Mas com quem posso comparar as pessoas de hoje? São como crianças sentadas na praça. Um grupo grita para o outro: 
"Nós tocamos músicas de casamento, mas vocês não dançaram! 
Cantamos músicas de sepultamento, mas vocês não choraram!" 
João Batista jejua e não bebe vinho, e todos dizem: "Ele está dominado por um demônio." O Filho do Homem come e bebe, e todos dizem: "Vejam! Este homem é comilão e beberrão! É amigo dos cobradores de impostos e de outras pessoas de má fama." Porém é pelos seus resultados que a sabedoria de Deus mostra que é verdadeira. 

A novidade do Reino

A liturgia, neste Tempo do Advento, destaca a figura de João Batista nas leituras dos evangelhos, nestes dias que antecedem o Natal. A novidade do Reino começa com João. Jesus proclama: "Desde o dia de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência e violentos se apoderam dele..." (Mt 11,12). João significa uma ruptura com os pilares do judaísmo: o sacerdócio, o Templo e a Lei que excluía os seus inadimplentes (pecadores). João descarta a linhagem sacerdotal do pai, troca o Templo de Jerusalém pelo deserto (periferia), e anuncia a libertação dos oprimidos pela Lei, acusados de pecadores, através da prática da justiça. Comparando com algumas crianças que se excluem do jogo das demais, Jesus denuncia a rejeição dos chefes do judaísmo. João, austero no seu vestir, no seu hábitat e em sua alimentação, inicia o anúncio do Reino. A seguir Jesus, o Filho do Homem (o Humano), veste-se e alimenta-se normalmente e vive nos espaços comuns das cidades e campos. Tanto João, na sua austeridade, como Jesus na sua naturalidade e alegria de vida foram rejeitados e difamados pelos chefes religiosos e políticos do judaísmo. Porém pequenos e humildes, dentro e fora do judaísmo, pelas obras de Jesus reconheceram sua sabedoria. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Anúncio a Maria

Leitura Orante
Lc 1,26-38

Quando Isabel estava no sexto mês de gravidez, Deus enviou o anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré. O anjo levava uma mensagem para uma virgem que tinha casamento contratado com um homem chamado José, descendente do rei Davi. Ela se chamava Maria. O anjo veio e disse: 
- Que a paz esteja com você, Maria! Você é muito abençoada. O Senhor está com você. 
Porém Maria, quando ouviu o que o anjo disse, ficou sem saber o que pensar. E, admirada, ficou pensando no que ele queria dizer. Então o anjo continuou: 
- Não tenha medo, Maria! Deus está contente com você. Você ficará grávida, dará à luz um filho e porá nele o nome de Jesus. Ele será um grande homem e será chamado de Filho do Deus Altíssimo. Deus, o Senhor, vai fazê-lo rei, como foi o antepassado dele, o rei Davi. Ele será para sempre rei dos descendentes de Jacó, e o Reino dele nunca se acabará. 
Então Maria disse para o anjo: 
- Isso não é possível, pois eu sou virgem! 
O anjo respondeu: 
- O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Deus Altíssimo a envolverá com a sua sombra. Por isso o menino será chamado de santo e Filho de Deus. Fique sabendo que a sua parenta Isabel está grávida, mesmo sendo tão idosa. Diziam que ela não podia ter filhos, no entanto agora ela já está no sexto mês de gravidez. Porque para Deus nada é impossível. 
Maria respondeu: 
- Eu sou uma serva de Deus; que aconteça comigo o que o senhor acabou de me dizer! 
E o anjo foi embora. 

O dogma da Imaculada Conceição

O título de "Imaculada Conceição" atribuído a Maria exprime a definição dogmática de que Maria foi concebida sem pecado original. O dogma foi proclamado pelo papa Pio IX, em 1854. Comemora-se a concepção de Maria, isto é, sua geração como fruto da união de amor entre seus pais, Joaquim e Ana. Contudo, Maria é concebida sem o pecado original, diferentemente do comum dos mortais, os quais, também por definição dogmática, são pecadores já ao serem concebidos. Nesta celebração são enaltecidos os casais que com amor e responsabilidade geram filhos, glorificando a Deus na sua criação. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vinde a mim todos

Leitura Orante
Mt 11,28-30

"Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." 

Jesus atrai todos a si

Em vez da ida à sinagoga ou ao Templo, onde se sentavam os sábios e entendidos que humilhavam e subjugavam o povo, Jesus convida os pequeninos e pobres: "Vinde a mim...". Jesus atrai todos a si, pois traz a proposta de um mundo novo, de justiça, paz e amor. Àqueles que estão curvados sob o pesado fardo do legalismo opressor e deprimente do Templo e da sinagoga Jesus propõe seu jugo leve e suave. Este jugo é a suave opção pelas bem-aventuranças proclamadas por Jesus, caminho para a felicidade e para a vida eterna. É o serviço na alegria e na solidariedade que caracterizam a comunidade fraterna unida a Deus, aberta e acolhedora a todos que se sentirem atraídos a ela. É o sentido da amizade, da vida e do compromisso que é encontrado por aqueles que vivem na solidão da incompreensão e da exclusão e que recebem da comunidade a acolhida, o respeito, o afeto, e se sentem valorizados. Temos aqui um dos mais belos, suaves e sedutores convites ao seguimento de Jesus. São palavras de Jesus para todas as pessoas e para todos os tempos. Ser discípulo de Jesus, conhecê-lo, desfrutar de sua presença e de suas palavras é encontrar a paz. É encontrar o repouso na dinâmica do amor e da partilha da vida. Jesus, manso e humilde de coração é o Jesus presente no nosso dia a dia, na família, no trabalho, em nossa comunidade missionária, comunicando a todos a própria vida eterna.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Se uma delas se extraviar...



Leitura Orante
Mt 18,12-14

"Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará as noventa e nove nos morros, para ir à procura daquela que se perdeu? E se ele a encontrar, em verdade vos digo, terá mais alegria por esta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequenos." 

Que não se perca nenhum desses pequenos

No capítulo dezoito de Mateus temos um conjunto de textos sob a forma de sentenças e parábolas, coletados pelo evangelista com a finalidade de orientar as novas comunidades que estão na origem da Igreja, na década de 80, para um convívio fraterno, pacífico, misericordioso e acolhedor. A parábola de hoje integra este conjunto de textos. Esta parábola pode ser encontrada também no evangelho de Lucas. Porém no contexto de Lucas a parábola é dirigida aos fariseus e escribas que censuravam Jesus por receber e comer com aqueles que eram considerados pecadores por eles. A ovelha perdida e, depois, reencontrada com alegria e reintegrada no rebanho exprime a missão de Jesus em acolher e restaurar o convívio comunitário daqueles excluídos e considerados pecadores pelo sistema religioso e social. Já aqui, no evangelho de Mateus a parábola é aplicada no sentido de acentuar que Deus não deseja que ninguém seja excluído da comunidade. A ovelha extraviada é um "pequeno", algum membro da comunidade, em vias de abandoná-la. A comunidade é convidada a correr em apoio de qualquer irmão em crise. O motivo e estímulo para priorizar aquele que se extraviou é que "o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequenos". A comunidade é o lugar da acolhida, do serviço, da valorização recíproca e do perdão. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Levante-se e ande"


Leitura Orante
Lc 5,17-26

Um dia Jesus estava ensinando, e alguns fariseus e alguns mestres da Lei estavam sentados perto dele. Eles tinham vindo de todas as cidades da Galiléia e da Judéia e também de Jerusalém. O poder do Senhor estava com Jesus para que ele curasse os doentes. Alguns homens trouxeram um paralítico deitado numa cama e estavam querendo entrar na casa e colocá-lo diante de Jesus. Porém, por causa da multidão, não conseguiram entrar com o paralítico. Então o carregaram para cima do telhado. Fizeram uma abertura nas telhas e o desceram na sua cama em frente de Jesus, no meio das pessoas que estavam ali. Jesus viu que eles tinham fé e disse ao paralítico: 
- Meu amigo, os seus pecados estão perdoados! 
Os mestres da Lei e os fariseus começaram a pensar: 
- Quem é este homem que blasfema contra Deus desta maneira? Ninguém pode perdoar pecados; só Deus tem esse poder. 
Porém Jesus sabia o que eles estavam pensando e disse: 
- Por que vocês estão pensando assim? O que é mais fácil dizer ao paralítico: "Os seus pecados estão perdoados" ou "Levante-se e ande"? Pois vou mostrar a vocês que eu, o Filho do Homem, tenho poder na terra para perdoar pecados. 
Então disse ao paralítico: 
- Eu digo a você: levante-se, pegue a sua cama e vá para casa. 
No mesmo instante o homem se levantou diante de todos, pegou a cama e foi para casa, louvando a Deus. Todos ficaram muito admirados; e, cheios de medo, louvaram a Deus, dizendo: 
- Que coisa maravilhosa nós vimos hoje!

O infinito amor do Pai.

A fama de Jesus espalhou-se, logo no início de seu ministério. Ao ensinar, em Cafarnaúm, já se encontravam entre os ouvintes fariseus e mestres da lei, olheiros vindos de Jerusalém. As ações de Jesus manifestam o infinito amor do Pai. Jesus (Filho do Homem) desmonta a autoridade da classe sacerdotal e dos escribas "na terra", onde ele está presente como Filho de Deus. As ideologias que usam o nome de Deus para respaldar poderosos neste mundo estão esvaziadas. O perdão é fruto não do poder, mas sim do amor misericordioso. Quem é amado passa a ter consciência de que está libertado da acusação de pecador que o humilha, deprime e exclui. O sinal de que se está livre da paralisia do pecado é a liberdade, é o levantar-se e o agir amoroso e solidário com a comunidade. 

sábado, 3 de dezembro de 2011

Missionários do Reino


leitura Orante
Mt 9,35-10,1.6-8

Jesus andava visitando todas as cidades e povoados. Ele ensinava nas sinagogas, anunciava a boa notícia sobre o Reino e curava todo tipo de enfermidades e doenças graves das pessoas. Quando Jesus viu a multidão, ficou com muita pena daquela gente porque eles estavam aflitos e abandonados, como ovelhas sem pastor. Então disse aos discípulos: 
- A colheita é grande mesmo, mas os trabalhadores são poucos. Peçam ao dono da plantação que mande mais trabalhadores para fazerem a colheita. 
Jesus chamou os seus doze discípulos e lhes deu autoridade para expulsar espíritos maus e curar todas as enfermidades e doenças graves. 
6Pelo contrário, procurem as ovelhas perdidas do povo de Israel. Vão e anunciem isto: "O Reino do Céu está perto." Curem os leprosos e outros doentes, ressuscitem os mortos e expulsem os demônios. Vocês receberam sem pagar; portanto, dêem sem cobrar. 

Envio missionário

Após caracterizar o messianismo de Jesus com a narrativa de dez milagres, reunidos em um bloco nos capítulos 8 e 9 de seu evangelho, Mateus faz um sumário do ministério de Jesus. A tarefa é grande, o caminho é longo, as multidões que acorrem, estão abatidas, cansadas, tomadas por doenças e enfermidades decorrentes de suas precárias condições de vida, frutos de sua exclusão social. Estão como ovelhas sem pastor. São como uma messe que aguarda a colheita. É preciso orar ao Senhor para que envie mais trabalhadores para esta tarefa. Diante deste quadro exposto Jesus faz o envio missionário dos doze discípulos, escolhidos como apóstolos. Na sua missão, as curas e exorcismos exprimem o restabelecimento da dignidade humana por um novo relacionamento interpessoal, fraterno e partilhado, característico do Reino dos Céus, tendo em vista a vida plena para todos. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Jesus cura dois cegos

Leitura Orante
Mt 9,27-31

Partindo Jesus dali, dois cegos o seguiram, gritando: "Tem compaixão de nós, filho de Davi!" Quando entrou em casa, os cegos se aproximaram dele, e Jesus lhes perguntou: "Acreditais que eu posso fazer isso?" Eles responderam: "Sim, Senhor". Então tocou nos olhos deles, dizendo: "Faça-se conforme a vossa fé". E os olhos deles se abriram. Jesus os advertiu: "Tomai cuidado para que ninguém fique sabendo". Mas eles saíram e espalharam sua fama por toda aquela região.

Despertar a fé

Temos neste texto uma duplicata resumida da narrativa da cura de dois cegos em Jericó (Mt 20,29-34), quando Jesus se aproximava de Jerusalém. A seguir, Mateus apresentará também outra duplicata resumida do milagre da cura de um possesso mudo para completar um bloco de dez milagres com o qual Mateus prepara o envio dos doze apóstolos em missão, seguindo-se um longo discurso missionário. As narrativas de milagres têm como objetivo despertar a fé das comunidades, estimulando-as à ação missionária. O grito dos cegos, "Senhor, filho de Davi...", significa que eles consideravam Jesus como um messias poderoso, um novo Davi, nisto consistindo sua cegueira. Contudo eles querem ver e entender melhor. Conforme a leitura de Isaías, feita por Jesus na sinagoga de Nazaré (Lc 4,18), a missão libertadora profética implicava em restituir aos cegos a sua visão. A fé em Jesus e a acolhida de sua palavra nos iluminam para compreendermos verdadeiramente sua missão libertadora, na revelação do amor pleno e misericordioso de Deus. Em conclusão encontramos uma sentença pedindo segredo aos cegos curados. O seu sentido é que Jesus não quer ser interpretado como um taumaturgo poderoso, conforme a tendência popular. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Por em prática a vontade de Deus

Leitura Orante
Mt 7,21.24-27

"Nem todo aquele que me diz: 'Senhor! Senhor!', entrará no Reino dos Céus, mas só aquele que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática é como um homem sensato, que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não desabou, porque estava construída sobre a rocha. Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e ela desabou, e grande foi a sua ruína!"

Construir a casa é construir a própria vida

Com este texto, contendo uma parábola, Mateus encerra o Sermão da Montanha, no qual, a partir das Bem-aventuranças Jesus proclama o programa a ser vivido no Reino dos Céus. Por três vezes, no texto, é repetida a expressão "põe em prática" referindo-se à vontade do Pai. Para ilustrar a importância desta prática, Jesus apresenta a parábola dos dois homens que construíram suas casas. Construir a casa é construir sua própria vida. Quando a vida é construída em conformidade com a vontade do Pai, sobre a rocha, na solidariedade e no serviço, ela suporta as tempestades das adversidades e permanece para sempre. Quando a vida é construída sobre a areia, baseada em anseios e interesses voltados para os valores do mundo sob o controle do poder do dinheiro, ela não suporta as adversidades e arruína-se. Este tema apresentado por Mateus é um dos temas dominantes no evangelho de João. Por em prática a vontade do Pai é estar em comunhão de amor e vida com os irmãos, pelo que se vive em comunhão com Jesus e o Pai.